Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Já que ninguem se lembra ... IV. A Ponte das Barcas

Aos 29, quarta feira de trevas pelas 7 ½  da manhã rompe o inimigo as linhas, e entra no Porto, entregando a cidade ao saque. Nada admira que um exército regular de 22 mil homens tomasse uma cidade de fronteiras tão extensas, que suposto intrincheirada e guarnecida de artilharia, não tinha de guarnição mais que 25 mil homens pela maior parte paisanos e milícias, e estes em uma total insubordinação a seus chefes nascida da imprudente desconfiança, ou mais ainda da malevolência e ressentimentos particulares. Foram dispensadas as poucas tropas que lá se achavam, muitas das quais perderam as armas. Morreu muita gente desgraçadamente atropelada pela cavalaria inimiga, e afogada no rio porque cegamente se lançavam a nado, e na passagem da ponte, que se rompeu com o muito peso. Nesta desordem e confusão foi fácil ao inimigo assenhorear-se de uma e outra margem do rio sem resistência alguma.

 

E com isto, já passa da meia-noite. Ficou assim a Ponte das Barcas atrasada.

 

(continua amanhã, com comentário)

sinto-me: fora de horas
publicado por fanicos às 00:52
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Sábado, 28 de Março de 2009

Já que ninguém se lembra... IV

Aos 28 mandou por um parlamentario intimar à cidade que se renda; mas este parlamentario foi assassinado pelo povo; e continuaram os ataques do inimigo sobre a Linha.

 

Por hoje, fico por aqui.

 

(continua amanhã)

 

 

sinto-me:
publicado por fanicos às 16:42
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Já que ninguém se lembra ... III

 

Aos 27 tenta o inimigo alguns ataques sobre a linha das baterias, que defendia a Cidade, os quais foram repelidos.

 

Por ser o “meu” Dietário tão escasso em informações sobre este dia, aproveito para lembrar o que se passara por estas bandas cerca de um ano antes, ou seja durante a 1ª invasão:

 

As províncias de Trás-os-Montes e Entre-Douro-e-Minho haviam começado por ser ocupadas pelas tropas espanholas que acompanharam Junot (toda esta zona tinha sido prometida aos espanhóis pelo Tratado de Fontainebleau.). Cedo porém estes a abandonaram, preferindo ir juntar-se aos rebeldes que começavam a opor-se pelas armas à efectiva ocupação de Espanha pelos franceses.

 

Começando em Chaves e no Porto, logo no princípio de Junho de 1808, a “restauração” fora-se alastrando por Portugal de Norte a Sul, até atingir 9/10 do território.

Sem as nossas melhores tropas, requisitadas por Napoleão, que com elas formou a famosa “Legião Portuguesa” (e que o acompanhou até à Rússia!),  foi ao “povo” que se ficaram a dever os verdadeiros levantamentos populares contra franceses e “afrancesados”. Rapidamente se formaram Juntas nas mais importantes cidades e sob as mais diversas designações – Suprema, Provisória, Legítima, etc. – que se atribuíram a verdadeira regência do Reino. Paisanos, milícias e ordenanças formaram “exércitos” improvisados que, sob a chefia de alguns (poucos) militares, quase todos de baixa patente e, sobretudo, membros do clero – padres, bispos, e abades dos muitos mosteiros que por ali havia – investiram contra os franceses com aquilo que tinham: foices, chuços, piques e algumas raras espingardas, normalmente sem munições. Tudo acompanhado por um verdadeiro movimento de guerrilha, que agia autonomamente.

 

O ambiente foi levado ao rubro, e ao rubro ficou.

 

A vitória do Vimeiro, seguida da “extraordinária” Convenção de Sintra, não acalmou os ânimos, antes os acirrou. Com pouco ou nenhum apoio da “Regência”, confortavelmente instalada em Lisboa e, para mais, acusada de conivência com o governo de Junot, o poder caíra literalmente “na rua”, ou seja, nas mãos dos populares.

 

Assim estava quando, ainda nesse ano, o Marechal Soult foi incumbido por Napoleão de conquistar o território português, e “atirar os ingleses ao mar”.

 

Depois ... foi o que se viu, e verá.

 

(Só tenho pena de não me ter lembrado de acompanhar o “Dietário” desde a primeira tentativa desta 2ª invasão, ou seja, desde meados de Fevereiro ... há 200 anos!)

 

(continua amanhã)

 

sinto-me: animada
publicado por fanicos às 17:31
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Já que ninguém se lembra ... II

Aos 26 de Março depois de dispersada a Ordenança, passou o Exército inimigo o Rio a seu salvo, e logo mandou uma Divisão rever a margem esquerda do rio até à ponte do Ave, légua e meia pelo rio abaixo, onde recebeu algum dano de uma pequena emboscada, que aí se lhe tinha preparado. Retrocedeu nesse mesmo dia para Santiago de Bougado, saqueando e matando tudo quanto encontrou pelo caminho; e ali pernoitou enquanto o Exército se adiantava sobre o Porto, a cujas trincheiras chegou neste mesmo dia a guarda avançada do Exército.

 

(continua amanhã)

sinto-me: motivada
publicado por fanicos às 18:26
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Já que ninguém mais se lembra ... I

Passam agora 200 anos sobre a segunda invasão francesa em Portugal (tão desprezada e mal estudada).

 

Depois da “mal amanhada” derrota de Junot  no Vimeiro, no Verão de 1808, e tendo as tropas francesas sido “carinhosamente” levadas de volta a França, com armas e bagagens, pelos nossos “queridos aliados”, os franceses tinham jurado voltar.

Junot tinha tomado posse de Lisboa, e pouco mais. O norte estava quase completamente desguarnecido e abandonado pela Regência que, do Rossio, se limitava a incitar os portugueses “às armas!”.  

Ora, foi mesmo por aí que Soult, Marechal e Duque da Dalmácia - um dos poucos que Napoleão considerava capaz de levar a cabo um a acção militar importante, independentemente das suas ordens - resolveu entrar em Portugal, em meados de Fevereiro de 1809.  

Durante aproximadamente um mês e meio foi o povo português quase sem chefias, armas e dinheiro, e em completa insubordinação, que aguentou com as tropas napoleónicas, defendendo - como podia - primeiro a sua passagem na fronteira e depois a sua marcha até ao Porto. 

 

A história merece ser contada.

 

Decidi começar a faze-lo dia a dia (é a minha forma de homenagem) socorrendo-me de um manuscrito inédito, o “Dietário do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro” que passo a transcrever, actualizando apenas a ortografia.    

 

Reza assim o dito Dietário:

 

A  23, 24 e 25 [de Março] evacuou o inimigo a cidade de Braga, deixando só 600 homens para guarnição da cidade. Marchou em duas colunas sobre o Porto, sendo a principal a que se dirigiu pela Barca de Trofa. A segunda veio à ponte de Negrelos, onde foi detida na noite de 24 pela Ordenança, que lhe matou bastante gente. Mas reforçada na madrugada de 25, e passando o rio a vau, sem serem percebidos, meteram a Ordenança entre dois fogos e mataram cento e tantas pessoas. Logo passou a ponte todo o resto da coluna, que se dividiu em duas, das quais uma seguiu a estrada do Porto, e outra a margem esquerda do rio Ave, por S.to Tirso, onde saquearam e pernoitaram à Barca da Trofa, que defendiam as Ordenanças da Maia comandadas pelo Sargento-mor de Valongo. Constando a este desgraçado chefe a aproximação do inimigo pela retaguarda, mandou retirar as Ordenanças, as quais enfurecidas com esta ordem o assassinaram antes de se retirarem, o que depois fizeram em desordem acossadas pelo inimigo.

 

(continua amanhã)

 

 

sinto-me: bem
publicado por fanicos às 17:37
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