Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Já que ninguém se lembra ... III

 

Aos 27 tenta o inimigo alguns ataques sobre a linha das baterias, que defendia a Cidade, os quais foram repelidos.

 

Por ser o “meu” Dietário tão escasso em informações sobre este dia, aproveito para lembrar o que se passara por estas bandas cerca de um ano antes, ou seja durante a 1ª invasão:

 

As províncias de Trás-os-Montes e Entre-Douro-e-Minho haviam começado por ser ocupadas pelas tropas espanholas que acompanharam Junot (toda esta zona tinha sido prometida aos espanhóis pelo Tratado de Fontainebleau.). Cedo porém estes a abandonaram, preferindo ir juntar-se aos rebeldes que começavam a opor-se pelas armas à efectiva ocupação de Espanha pelos franceses.

 

Começando em Chaves e no Porto, logo no princípio de Junho de 1808, a “restauração” fora-se alastrando por Portugal de Norte a Sul, até atingir 9/10 do território.

Sem as nossas melhores tropas, requisitadas por Napoleão, que com elas formou a famosa “Legião Portuguesa” (e que o acompanhou até à Rússia!),  foi ao “povo” que se ficaram a dever os verdadeiros levantamentos populares contra franceses e “afrancesados”. Rapidamente se formaram Juntas nas mais importantes cidades e sob as mais diversas designações – Suprema, Provisória, Legítima, etc. – que se atribuíram a verdadeira regência do Reino. Paisanos, milícias e ordenanças formaram “exércitos” improvisados que, sob a chefia de alguns (poucos) militares, quase todos de baixa patente e, sobretudo, membros do clero – padres, bispos, e abades dos muitos mosteiros que por ali havia – investiram contra os franceses com aquilo que tinham: foices, chuços, piques e algumas raras espingardas, normalmente sem munições. Tudo acompanhado por um verdadeiro movimento de guerrilha, que agia autonomamente.

 

O ambiente foi levado ao rubro, e ao rubro ficou.

 

A vitória do Vimeiro, seguida da “extraordinária” Convenção de Sintra, não acalmou os ânimos, antes os acirrou. Com pouco ou nenhum apoio da “Regência”, confortavelmente instalada em Lisboa e, para mais, acusada de conivência com o governo de Junot, o poder caíra literalmente “na rua”, ou seja, nas mãos dos populares.

 

Assim estava quando, ainda nesse ano, o Marechal Soult foi incumbido por Napoleão de conquistar o território português, e “atirar os ingleses ao mar”.

 

Depois ... foi o que se viu, e verá.

 

(Só tenho pena de não me ter lembrado de acompanhar o “Dietário” desde a primeira tentativa desta 2ª invasão, ou seja, desde meados de Fevereiro ... há 200 anos!)

 

(continua amanhã)

 

sinto-me: animada
publicado por fanicos às 17:31
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