Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Já que ninguém mais se lembra ... I

Passam agora 200 anos sobre a segunda invasão francesa em Portugal (tão desprezada e mal estudada).

 

Depois da “mal amanhada” derrota de Junot  no Vimeiro, no Verão de 1808, e tendo as tropas francesas sido “carinhosamente” levadas de volta a França, com armas e bagagens, pelos nossos “queridos aliados”, os franceses tinham jurado voltar.

Junot tinha tomado posse de Lisboa, e pouco mais. O norte estava quase completamente desguarnecido e abandonado pela Regência que, do Rossio, se limitava a incitar os portugueses “às armas!”.  

Ora, foi mesmo por aí que Soult, Marechal e Duque da Dalmácia - um dos poucos que Napoleão considerava capaz de levar a cabo um a acção militar importante, independentemente das suas ordens - resolveu entrar em Portugal, em meados de Fevereiro de 1809.  

Durante aproximadamente um mês e meio foi o povo português quase sem chefias, armas e dinheiro, e em completa insubordinação, que aguentou com as tropas napoleónicas, defendendo - como podia - primeiro a sua passagem na fronteira e depois a sua marcha até ao Porto. 

 

A história merece ser contada.

 

Decidi começar a faze-lo dia a dia (é a minha forma de homenagem) socorrendo-me de um manuscrito inédito, o “Dietário do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro” que passo a transcrever, actualizando apenas a ortografia.    

 

Reza assim o dito Dietário:

 

A  23, 24 e 25 [de Março] evacuou o inimigo a cidade de Braga, deixando só 600 homens para guarnição da cidade. Marchou em duas colunas sobre o Porto, sendo a principal a que se dirigiu pela Barca de Trofa. A segunda veio à ponte de Negrelos, onde foi detida na noite de 24 pela Ordenança, que lhe matou bastante gente. Mas reforçada na madrugada de 25, e passando o rio a vau, sem serem percebidos, meteram a Ordenança entre dois fogos e mataram cento e tantas pessoas. Logo passou a ponte todo o resto da coluna, que se dividiu em duas, das quais uma seguiu a estrada do Porto, e outra a margem esquerda do rio Ave, por S.to Tirso, onde saquearam e pernoitaram à Barca da Trofa, que defendiam as Ordenanças da Maia comandadas pelo Sargento-mor de Valongo. Constando a este desgraçado chefe a aproximação do inimigo pela retaguarda, mandou retirar as Ordenanças, as quais enfurecidas com esta ordem o assassinaram antes de se retirarem, o que depois fizeram em desordem acossadas pelo inimigo.

 

(continua amanhã)

 

 

sinto-me: bem
publicado por fanicos às 17:37
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